Génio

Sente pasmado o ser que se eleva e assumiu
Ser ousado p’ra ser a quebra do próprio
Ser errado que o impeça de ser sóbrio.
Tem na mente vincado um resquício frio
P’lo que tem guardado, mas o vício que ouviu
Não lhe tem chamado e isso comove-o.
Sente-se revoltado porque se move dúbio
E por ser inundado por um enorme dilúvio
Do passado que não lhe sobe o mercúrio.
Sente-se baralhado por sentir que de si desistiu
E vem atrasado para se despir do que vestiu
Por se ver forçado a cumprir o que não cumpriu.
Mas o ser vem focado, consciente que sucumbiu
A ser barrado pelo subconsciente que obstruiu
O ser apetrechado com uma mente de vitrúvio.
E vem bem fardado para receber o prémio
E ser galardoado a se erguer como o único
Ser equipado para perceber ser um génio.

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Génio

Julgamento Silencioso

Sou o juiz que impera no meu julgamento silencioso.
Um infeliz que condena o teu pensamento ocioso
Com raiz presa a rebentos de um falacioso
Deus que só alimenta jumentos de cariz maldoso.
O meu coração canta: “abaixo todo o religioso
Que em tanta ocasião me chamou teimoso”
E que a minha mão seja campa desse asqueroso
Mito que só te encanta e leva para um tenebroso
Futuro onde não haverá lugar p’ra nenhum audacioso.

Pergunto: “como entra na criminalidade o piropo,
Mas ainda há tanta idade a discriminar o mesmo povo?”
Pergunto, porque sem essa vontade sou só um corpo
Defunto, mas na realidade sei que de vivo já tenho pouco.
No fundo, renego-me à sociedade por não ver recíproco
Neste mundo o meu ser que mete cumplicidade no foco,
Em vez de mudo se formar na universidade dos ocos.
No fundo e dizendo a verdade, quero ver-vos mortos
E que na vulnerabilidade vos olhem com os vossos olhos.

Julgamento Silencioso

“O inverno chegou”

À vida vim sem pedir, de facto.
Ainda assim quero impingir factos
Àqueles que me esticam fatos
P’ra que vejam: somos iguais sem trapos.
Simpatia nunca foi o meu forte,
Talvez por ter mais que me importe
Do que achar real a puta da sorte
Ou a vida depois da morte.
Ainda sem sentir, eu parto-me
P’ra ver se reinvento passados,
Mas se me concentro um bocado
Só vejo que somos iguais: errados.
Só vejo um conjunto de animais
Que se divide em grupos demais
E já escrevi em alguns traços gerais
Alguns dos vossos atrasos mentais,
Vós que vos achais mais que os animais,
Vós que interpretais mal os sinais.
Seguem ideais sem “uis” nem “ais”,
Tantas tradições e valores nacionais,
Mas no fundo só querem odiar mais.
O inverno chegou, mas as chamas
Que o meu coração sempre carregou
Nas entranhas em nada são brandas.
Tudo porque as coisas que proclamas,
Todos esses deuses e histórias estranhas,
Não são mais que histórias p’ra crianças.

“O inverno chegou”

Linhas sobre linhas

Tanto que ignora e esfola o que está fora do seu grupo,
Quer seja por bola, esmola, por um livro inculto
Ou até simplesmente por amar alguém do seu sexo.
Mas não mudo o que penso, apenas me preocupo
Perplexo com um mundo repleto de inculto sem escrúpulo
E que desenrola o seu pensamento sem nexo.

Mudo penso: gostava de entender a identidade
Que tantos guardam em verdes e encarnados
E noutras tantas preces de passado ensanguentado
Que as gentes encaram antes do ver da verdade.
Mas segundo o meu achar desajeitado, não vejo qualidade
Em apontar o dedo sem antes o apontar à minha realidade.

Alheio nasces e antes de ousado pensares
Atiram-te de antemão: “És daqui. Sê daqui, então!”
Primeiro: Essas frases não te tornam dono da razão.
Não tens o direito de fazer pazes com a discriminação
E de te achares conceituado na arte de preconceituares.
Essas pessoas também são humanos. Sê humano, então!

 

Linhas sobre linhas

2017

É 2017, o mundo aquece, o gelo derrete
E o puto esquece o tempo que perde
Na porcaria da Internet.
O lixo reflecte o Homem que o gere
E a rua escurece com o medo que rege
A maioria da plebe.
A Terra gira, mas porque é que se cria
Ira se só lágrima brilha na cara da cria
Que nasceu onde não devia?
Tanta merda bonita, ‘tão porque é que se evita
Rir e só é página de capa a raça vazia
Que prometeu o que não faria?
Opinam-se falsas preces e tu finges
Que não percebes e ainda as as segues
Nessa tua rotina de cego
E eu não nego o medo que carrego
Por um “seres tu” valer menos que um ego
Nessa vida que me pedes tu.
É 2017 e tu, ainda que muito inculto,
Devias ter inscrito que esforço conjunto
É o que elimina o menos arguto
E ainda que mudo ou menos revoluto,
Lembra-te que todo o que só coça o seu escroto,
Não é de todo o que cria um mundo novo.

2017

Deixo-te mais um poema de versos da minha idade,
Mais um esquema de trechos, uma verdade
Que só eu busco no meio da insanidade
De um eu escuro que nem o cheiro da vaidade
Procura e nem cheio de realidade
Se mistura no meio da sociedade.
Deixo-te mais um poema das minhas vontades,
Mais um par de problemas para tu pensares
E para aprenderes que para conversar
Não basta esperar a tua vez de falar.
Sei que nunca esperas a tua vez de errar,
Mas falta-te não esperar para pensar
E ousar amar sem preconceituar.
Falta-te parar para percepcionar
O ar e não ser mais um a sujar
Só porque tantos se estão a cagar.
Deixo-te aqui mais um poema para esperançar
Um dia poder enxergar o mundo a reparar
Que somos todos melhores a cooperar.
Basta correr bem uma vez p’ra não se falhar,
Basta correr mal uma vez p’ra nada restar,
Basta ressalvar que este planeta é p’ra salvar.

Querido Portugal,

Porque me tentas tu a mente assaltar,
Dizendo que pelos teus feitos devo gritar,
Dizendo que é suposto glorificar
E engrandecer um povo que decidiu explorar?
Eu cá não vejo nada de bom em ir roubar
E em sair do teu canto para desatar
A pilhar e a subjugar,
Dizendo que especiarias ias trocar,
Quando na verdade só querias escravizar.
Querias dividir o mundo ao meio porquê,
Se de divisões está o mundo cheio
E o cheiro da felicidade pouco se vê?
O cheiro da falsidade é o que se vê
E no meio da sociedade está o “E“, lê.
O teu povo tanto tem no seu alvo “Escrementês”,
Que só canta algo para dizer: “Sou melhor que você!”.
Não me tentes ver a saltar por aí
Dizendo: “há Homens a amar por aqui”.
Porque o meu coração decidiu explorar
E viu que não há igualdade para respirar assim.
Se somos todos iguais a errar,
Porque é que continuamos a fechar
Caminhos e oportunidades de sonhar
A alguns só por terem o azar
De não nascer num lugar
Onde se possa ver o sol raiar?
Devíamos ser todos iguais a amar.
Chega de andar por aí a dizer: “leiam”
Alguns livros que nem fazem aquecer o coração
Se virmos os erros que foram lá escrever com atenção.
Tanta burocracia e no fim do dia
É aquilo que o burro chia que dá na televisão.
Tenho em mim a fobia de que não chegue o dia
Em que os miúdos possam olhar para o que fazia
E pensem criar uma via sem opressão.
Porque é que continuamos a achar
Que nascer num certo lugar
É algo que deva influenciar
A nossa forma de pensar?
Gostava era de um dia poder enxergar
Uma casa mundial com o poder de regar
As mentes novas com formas de amar.

Querido Portugal,