A mensagem | vol.4

Nascemos para interpretar palavras
E outras tantas frases criadas
Para nos tornar pessoas parvas
E por vezes surgem sentimentos,
Medos e tantos tormentos,
Que nos tornam pouco mais que menos.
Acham esses Homens, sinto,
Que têm o direito de não se ofender.
Pensam deslumbrados esses Homens, sinto,
E acham-se capazes de não morrer.
Agem tenazes para não se perder,
Mas perdem-se sem as verdades ver.
Não sou igual a esses Homens, minto,
Também caminho direito a morrer
E ainda me condeno a viver
Prisioneiro de só eu me saber.
Viver neste mundo sem ser rabugento
E sem gritar o que se tem no ventre
A mim só me deixa atormentado,
Mas tento nunca me resignar por dentro
A algemas que me deixem acomodado.
Se é para ser algo incomodado
Que seja por uma crescente vontade
De ver o mundo com o alvo virado
A um futuro que seja sempre passado
A fazer sorrir os que mal têm passado.
Porque é que foram os humanos
Gerar esta sociedade
Se já somos todos obrigados
A lidar com a saudade?
E porque é que correm os humanos
Atrás de histórias de nada
Se já vivem todos fartos
Desta rocha abandonada?
Só queria que fossem os humanos
A criar credibilidade.
Se já existem tanto parvos
Porquê dar continuidade?

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A mensagem | vol.4

A mensagem | vol.3

Ó vida,
Porque jogo eu este xadrez
De fintas que alguém fez
Antes de eu sequer nascer?
Ó vida,
Porque é um puto torturado
Para chegar a algum lado
Se nem pediu para nascer?
Cá dentro tenho uma dúvida:
Como é que a gente dá a vida
Por livros com tinta a desvanecer?
Os jovens constroem castelos
E se cai o nevoeiro, nem vê-los.
Ouve-se o desenroscar das brocas,
Vê-se o desenrascar de vidas tortas
E lá vem o traiçoeiro envolve-los.
Vão se embora porque querem lá ficar,
Vêem bola porque algo querem ganhar
E os seus AVCs são nos cotovelos.
Há lata e até muito lençol
Para apagar a lâmpada do Homem
Que até então o sapo engole.
A vida não tem nome nem
A justiça devolve o que tem
E a liberdade que me envolve
Não é dessa que por aí promovem.
Algo que sempre me intrigou:
Como é que tanta gente se entregou
À guerra que se começou antes
Por alguns se acharem importantes?
Conquistam-se os terrenos p’ra quê
Se ninguém para para os ver?
Formatam-se os pequenos porquê
Se todos vivemos para morrer?
Algo que sempre me perguntei:
Como é que querem que acredite e nem
Há um que pense o suficiente
Para não tentarem vergar-me a crente?
Quero é um mundo que sinta dentro
E quero que os miúdos sintam o vento.
Que nunca se verguem a criações humanas,
Pois os nossos erros também estão nelas.
Vós que seguem os deuses há semanas,
Sois os que pensam que vêem, mas
Porque matam os inocentes com bombas?
Ó gente que o mundo anda a destruir,
Não olhem lendas, mas sim o coração.
Quero que os miúdos andem a sorrir,
Não coloquem vendas na sua visão.
E para que os surdos comecem a ouvir
Não metam essas merdas na televisão.

A mensagem | vol.3

Para ti, Abílio 

Lanças um olhar torto à subjetividade
De um mundo que amas e condenas,
Desperta-te a arte dos roucos,
Despedaça-te amar os outros
E lanças um olhar morto à vontade
Do miúdo que levas nas entranhas.
Mas porque é que com tanto dentro
Sentes que te falta algo sempre?
Se te falta algo, sente!
E se sentes errado o sentimento
Aponta primeiro a mente
Ao que és primeiramente
Antes de apontares o dedo.
Saber se é errado o vento
Sem saltar do quente p’ró frio
É como ser amado por dentro
Sem se amar a si próprio.
Então ama-te. Sempre!

Para ti, Abílio 

AMMC

Se eu sou a figura do meu quadro,
Porque é que o enquadramento
Que me afiguram não é pedaço
Daquilo que é o meu alento?
Deixo que as questões me afrontem
Desde muito cedo.
Nunca gostei de pão de ontem
Desde puto e sempre.
Este olhar cansado não se ouve nem
Reflecte o puto de sempre.
Eu quero ser puto sempre!
Não descontar esses 23,
Poder levantar os meus porquês,
Não ser mudo como vocês,
Eu quero ver tudo sempre!
E para poder acreditar
Num mundo mais concreto,
Preciso de poder desfrutar
De um mundo mais completo.
A Minha Mensagem Comanda
A mudança que quero ver no ar,
Mas enquanto essa escola ensinar
Que por números devo ser alarvo,
O mundo dança e quero vê-lo calar
Porque eu não faço figura de parvo.

AMMC

22

Este cabelo de chinês que se vê
Cobre uma mente que pouco se lê.
Essa insanidade louca
Que concede a mim próprio
Essa necessidade rouca
Por eu não ceder a nenhum sóbrio
Essa chave que me abre a boca.
Esse medo de alguém me saber
Como só eu me sei,
Vem desse dedo que vem sem me saber
Como só eu me sei.
Este olhar vazio não vê mal,
Mas esse mundo frio não vê igual
E se querem completar-me,
Já vão tarde demais.
E se quiserem matar-me,
Esta tarde não, há mais.
Estes joelhos que eu usava demais,
Esses desejos que eu tinha a mais,
Destruíram-se cedo demais,
Mas são eternamente parte de
Um rapaz que quer sonhar mais.

22

A mensagem | vol.2

Vim ao mundo humano, mas a que preço
Se já vi de tudo e a pouco estou preso?
Vou crescendo desumano e reconheço
Que pelo estranho me interesso,
Mas que tenho tamanho apreço
Pelos que usam sorrisos como adereço.
Ouve muito o humano, mas vê-se
Que vê muito com pouco interesse.
Vou escutando o q’diz o humano, mas desse
Compasso abstenho-me porque só vejo se
Tapar o olhar que tenho desde
Os tempos em que sorria sem stresses.
Corrói-lhes o amor e o desporto
E amam uma só vez e pronto.
Amarram seus barcos a um porto
E querem que eu os siga pronto
A meter um ponto final na vida.
Corrói-lhes a alma se o clube perde
E esquecem-se eles que a pátria fede.
Aquecem os corações com efémeras febres
E querem que eu os siga como lebre
Que acaba a chegar ao final perdida.
Corrói-me mais o facto
De haver mais dinheiro que factos
E de haver mais dinheiro p’ra fatos
Do que p’ra fazer melhores actos.
Este mundo gira por valores
E no entanto não vejo nenhum.
Dizem que há por aí muitos amores
E portanto não quero só um.
Que se ouçam mais esses jovens,
Se quiserem falar.
Que sonhem mais esses Homens,
Se quiserem sonhar.
Os que ousam mais, esses jovens,
Deixem-nos ousar.
Os que destroem mais, esses Homens,
Não os deixem errar.
Se a vida se entortar, pelo menos tentei
Mas para se endireitar, pelo menos gritei.
E aqui deixo uma mensagem
Para servir de engrenagem
A menos gente selvagem.
E ó minha gente louca,
Ouçam-me o coração.
Façam uma Terra nova,
Uma sem corrupção.
E se querem ser pessoas novas,
Sorriam mais, então.

A mensagem | vol.2

Vicissitude

A vida tem apenas quatro letras
E eu escrevo-a com vinte vontades.
As pessoas apenas têm umas quantas peças
E eu quero-as com múltiplas saudades

Enquanto algumas usam máscaras
Para se misturar com os demais
E esquecem-se de suas reais caras.

E porque é que ter um só sonho sabe mal
E sonhar muito acaba a saber igual?

Um Homem não foi feito para não querer mais.

Vicissitude